A força da mulher comerciária

comerciaria O jornal O Comerciário conta a história de Tina, que há 39 anos atua no comércio de Vitória da Conquista

Natural de Iguaí, Donatina Moreira tem 50 anos de idade e há 39 anos trabalha no comércio de Vitória da Conquista. Durante essa longa trajetória trabalhou em quatro lojas, sendo que há 15 é funcionária do mesmo estabelecimento.  Hoje é mãe, avô e esposa. Começou a trabalhar como comerciária quando ainda era adolescente, aos 11 anos de idade. Nessa época a sua função era a de tomar conta da porta de uma loja. Depois disso, passou a ser vendedora, função que exerce até hoje. Tina, como é chamada por todos, é aposentada, mas ainda vai trabalhar todos os dias. Trabalhar no comércio para ela hoje, é algo que lhe dá prazer. Mas nem sempre foi assim: a vida do comerciário já foi bem mais difícil em épocas em que as condições de trabalho eram outras. Tina viveu esse momento.

“Antigamente, o trabalho do comerciário era quase um trabalho escravo. Eu já cheguei a trabalhar até duas horas da manhã marcando mercadoria, sem receber hora extra por isso.” – conta a vendedora.
Na visão de Tina, a situação nos dias atuais é completamente diferente: “Hoje o comerciário tem liberdade. A gente só trabalha durante o horário comercial, não trabalhamos até mais tarde, o patrão trata bem o seu funcionário, muita coisa mudou para melhor”.
Embora as melhorias tenham acontecido, segundo ela, a questão da comissão do comerciário ainda precisa avançar. “Quando eu comecei no comércio há 39 anos, a comissão do vendedor era de 4% [em cima do valor da mercadoria vendida], e hoje permanece o mesmo valor .”
A comerciária não deixa de lembrar como era o comércio da cidade há quase 40 anos atrás. “Quando eu entrei no comércio, havia quatro lojas e vinha gente de vários lugares comprar aqui. Pessoas do sul da Bahia, de Minas Gerais , de todos os lugares da região, que faziam compras em Conquista. Eu já cheguei a tirar 12 salários mínimos por mês. Eu lembro que na loja onde eu trabalhava, era preciso baixar as portas, de tão cheia que ficava. Hoje temos que gritar na porta da loja para o cliente entrar”. – brinca Donatina. 
Em relação aos direitos do trabalhador, Tina comemora: “Mudou 100%”. E mudou mesmo, durante os últimos anos, muitas foram as conquistas dos comerciários de Vitória da Conquista e de todo o Brasil. Mas como a própria Tina diz: “A vida continua.” E com certeza, a luta dos comerciários também.